Arquivo de outubro, 2010

O candidato à presidência José Serra, do PSDB, expressou em sua declaração, nesta quinta-feira, o machismo que orienta não apenas sua campanha, mas sua atuação política no último período: “Se você é uma menina bonita, tem que conseguir 15 votos. Pegue a lista de pretendentes e mande um e-mail. Fale que quem votar em mim tem mais chance com você”.

Repudiamos todas as práticas que pretendem obter qualquer tipo de lucro a partir do uso do corpo das mulheres, seja no turismo sexual, na indústria do entretenimento ou no tráfico de mulheres para a exploração sexual que movimenta pelo menos 58 bilhões de dólares anuais. O conteúdo explícito da declaração de Serra, ao incentivar que as meninas se ofereçam em troca de votos para este candidato misógino, incentiva estas práticas.

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No primeiro debate do segundo tempo turno das eleições 2010, Dilma, finalmente, foi pra cima deles. Finalmente, deixou o script (um pouco) de lado e mostrou (um pouco) dela mesma, daquela Dilma incisiva que o caro Agripino, a cara Folha de São Paulo e os/as caríssimos/as militantes conhecem bem.

Depois de ser chamada de poste, terrorista, sapatão e “matadora de criancinhas”, Dilma finalmente acordou, no meio do segundo tempo, e reagiu, com toda a raiva de quem foi difamada e caluniada, e com todos os argumentos de quem já deixa pra trás a sombra do ex-metalúrgico e quase-ex-presidente-da-república.

#serramilcaras

$erra, desnorteado, se apegou à tática usada por dez entre dez machistas: a desqualificação. Tratou logo de chamá-la de “agressiva”. Danilo Nojentilli repetiria sua poesia CQCista em 140 caracteres: “só assim pra ela abrir as pernas em cima de um homem”. Claro, quando uma mulher ousa ultrapassar aquela fronteira bem demarcada entre o espaço público e o privado, entre o masculino e o feminino, a reação uníssona da aliança machista é imediata.

Charge machista de Nani, reproduzida por blog da Folha.

 

Mulher na rua à noite? Puta. Engravidou solteira? Puta. Minissaia na faculdade? Puta. Forte? Sapatão. Tá nervosa? TPM. Incisiva? Histérica. Feminista? Sapatão. Feminista? Mal comida. Feminista? Pró-morte/assassina.  Política?? Poste, terrorista, sapatão e “matadora de criancinhas”. Bem tentaram rotular de puta também, mas agora se contentam com histérica mesmo…

 

“Dilma = aborto, maconha, prostituição, casamento gay”. Cartaz pregado em igrejas e lugares públicos.

Primeiro, veio a questão do aborto, para nos mostrar o quanto a sociedade brasileira ainda está tão distante da cidadania quanto do estado laico. Enquanto, em diversos países, sua legalização, através de imensa pressão popular e um tanto de boa vontade política, diminuiu o número de abortamentos e de mortes maternas, no Brasil, a criminalização do aborto, além de ser responsável pela terceira causa de morte materna no país, ainda é usada para manipulação eleitoreira de boa parte da população.

Como o número de mulheres na política ainda é extremamente reduzido, e como os líderes religiosos são os principais defensores dos direitos do conjunto-de-células-entitulados-por-eles-de-vida, temos que a decisão sobre a criminalização do aborto é tomada por homens que, paradoxalmente, não engravidam(!), portanto, nunca lhes passou pela cabeça a necessidade de abortar.

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