Arquivo de fevereiro, 2011

Somos todas feministas

Publicado: fevereiro 26, 2011 em mercantilização

Revista retrata meninas "passivas" e meninos "ativos".

Sabe aquele professor de Cinema massa – simpático à causa feminista até – que chama as alunas pra fazerem produção, direção de arte, maquiagem e figurino, e chama os alunos pra fazerem fotografia, iluminação, assistência de direção? Sabe aquele seu amigo videoasta que conhece umas duas ou três fotógrafas boas, mas que acaba chamando sempre um cara que ele ouviu dizer que é bom também pra trampar com ele? Sabe quando sua mãe pede pra você ajudá-la na cozinha ou na casa, por que seu irmão não leva jeito pra isso? Chama divisão sexual do trabalho.

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Marias Premium: cartaz sobre violência contra a mulher divulgado na UFC.

Cerveja é um assunto que sempre dá pano pra manga, sobretudo nas próprias mesas de bar. Nesse tipo de ambiente, é comum compartilhar receitas pra curar ressaca, causos pitorescos de amnésia alcoólica ou ainda certos rituais aparentemente estranhos, tais como beber o líquido quente ou jogar pimenta “pra dar um gostinho”. No entanto, pouco se tem falado sobre algo tão recorrente em nosso cotidiano: as propagandas de cerveja. Anestesiados com a overdose de imagens comum ao nosso tempo, mesmo quem não bebe nada alcoólico já se habituou com a enxurrada de sedutoras mulheres de biquíni escorrendo pela tela de seu televisor. (mais…)

Muito além do Cisne Branco

Publicado: fevereiro 9, 2011 em outras

Quem nunca se sentiu obcecada em executar uma tarefa com perfeição, sobretudo diante de uma plateia quase sempre hostil? Quem nunca sentiu ânsia de vomito após ingerir uma quantidade de calorias além da permitida em uma dieta balanceada? Quem nunca olhou para a figura feminina da mãe com certa dose de pudor? Quem nunca teve receio do poder exercido pela figura masculina de um professor, chefe, pai, namorado ou mesmo irmão? Quem nunca se sentiu  assediada, moral ou fisicamente, pela figura masculina de um professor, chefe, pai, namorado ou mesmo irmão? Quem nunca olhou para uma amiga mais bonita com certo misto de interesse e rancor? Quem nunca se sentiu enclausurada pelo mundinho cor-de-rosa das bonecas, caixinhas de música e laços de fita? Quem nunca descontou raiva em seres inanimados porque, de repente (inconscientemente), viu neles o reflexo de sua própria situação? Quem nunca ouviu dizer que era preciso ser forte, não sem antes passar um batom? Quem nunca teve medo de perder a glória junto com a juventude? E quem disse que, para arrancar aplausos da plateia, é preciso sangrar?

Natalie Portman (Nina) no filme Black Swan (Cisne Negro).

Vista suas melhores sapatilhas. Prenda os cabelos bem alto. Conserte a postura. Não desvie o olhar.
Enlouquecer, revoltar-se ou deixar pulsar depende apenas da maneira como você pretende  chegar ao final da coreografia. Aos olhos d@s integrad@s, as duas primeiras se sobressaem como as melhores opções. Já a terceira tem a ver com controlar o cisne negro interior, em prol de uma encenação sem graça da vida. A pergunta é: por quanto tempo? Por quanto tempo o cisne negro ficará adormecido e que mal isso provocará?

Betty Friedan já nos alertou, há quase cinquenta anos, que dele deriva o tal “mal estar que não tem nome”, aquele sentimento de frustração das mulheres com sua harmônica e bem-sucedida vida de boa mãe, boa esposa e boa dona-de-casa (hoje também boa profissional). E que se materializa – já sabemos – em violência sexista, distúrbios alimentares, mortes por abortamentos mal-sucedidos, etc, etc, etc. Antes de atravessar a rua quando vir o cisne negro, vale olhar mais de perto para o reflexo do branco e se perguntar de qual lado da calçada você realmente está.

É sobre isso que o tal do feminismo fala. É sobre isso que o Cisne Negro fala.

E é sobre isso que o Festival Mulheres no Volante 4.0 vai falar.