Você é o que você bebe?

Publicado: fevereiro 15, 2011 em marcha mundial das mulheres, mercantilização

Marias Premium: cartaz sobre violência contra a mulher divulgado na UFC.

Cerveja é um assunto que sempre dá pano pra manga, sobretudo nas próprias mesas de bar. Nesse tipo de ambiente, é comum compartilhar receitas pra curar ressaca, causos pitorescos de amnésia alcoólica ou ainda certos rituais aparentemente estranhos, tais como beber o líquido quente ou jogar pimenta “pra dar um gostinho”. No entanto, pouco se tem falado sobre algo tão recorrente em nosso cotidiano: as propagandas de cerveja. Anestesiados com a overdose de imagens comum ao nosso tempo, mesmo quem não bebe nada alcoólico já se habituou com a enxurrada de sedutoras mulheres de biquíni escorrendo pela tela de seu televisor.

O cartaz acima, clicado por Miguel Stédile nos corredores da Universidade Federal do Ceará (UFC), chama a atenção para a relação entre álcool e violência contra a mulher. Em forma de cardápio, aparecem listados nomes de vítimas de violência sexista, ao lado de uma imagem impactante que jamais seria vista em uma publicidade do gênero: uma mulher, com hematomas provocados por agressão, segurando um bebê no colo. A Cynthia Semíramis falou sobre isso aqui, e a foto foi bastante difundida nas redes sociais com a hashtag #FimDaViolenciaContraMulher, em novembro do ano passado.

Há pouco tempo, também denunciamos o racismo/sexismo propagado pela Devassa, através de uma peça publicitária veiculada na revista Rolling Stone. Infelizmente, sabemos bem que a mercantilização do corpo da mulher está presente nas publicidades de praticamente todas as marcas de cerveja – em maior ou menor grau. Pior que isso. Propagandas de sandálias, carros e utensílios domésticos tem usado a mesma tática. Cartazes de chopadas e calouradas também. Tudo aparentemente bem normal.

Mas você já se perguntou por que são usadas mulheres seminuas? Será que o produto vende mais com a utilização do corpo da mulher? Olhe bem para os comerciais da Skol, da Devassa, da Antárctica, da Brahma, da Polar, da Heineken e responda: essas mulheres nos representam? A partir desses questionamentos surgiu, no final do ano passado, a ideia de estimular a produção de vídeos como esse que você verá abaixo.

É simples: junte um grupo de amigas, pegue uma câmera e converse com as pessoas nos bares sobre as propagandas de cerveja. Experimente levantar algumas questões como as propostas acima. Será que as pessoas se identificam com a publicidade dos produtos que consomem? Muitas talvez nunca tenham sequer pensado sobre isso. Mas fazer essa reflexão já é um começo.

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comentários
  1. Achei engraçado que os questionamentos das mulheres em geral vão na direção do senso comum também. Tipo, “ah, então bota um homem pelado que eu vou gostar mais”. Uma das meninas falou da propaganda da Heineken, como sendo uma alternativa legal ao estereótipo da mulher seminua. Só que essa propaganda, pra quem não viu, é assim: um grupo de mulheres abre um closet cheio de sapatos (ou roupas, não lembro) e começa a gritar eufórico de alegria. Simultaneamente, um grupo de homens abre uma geladeira cheia de Heineken e grita do mesmo jeito. Mulher gosta de sapato. Homem de cerveja. Onde que isso sai do estereótipo?? A galera parece que é cega, namoral.

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