Disparos no front do capitalismo torpe

Publicado: junho 29, 2014 em mercantilização
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“NESTE ANO FAÇA ALGO POR VOCÊ
APRENDA A DANÇAR
FORRÓ
ZUMBA”

Foto: Bruna Provazi.

Foto: Bruna Provazi.

Assim diz o letreiro neon no coração de Higienópolis, como uma promessa de ano novo sussurrada no ouvido da amiga indecisa às cinco pra meia-noite na Riviera à beira-mar. O que ele não diz é que está cobrando pelo nosso ócio criativo, que trabalhamos tanto que o dinheiro ganho vai direto pagar nossa desopilação. Se estressar custa caro these days. Mas o suficiente pra ser parcelado em três vezes sem juros no cartão.

Conto as horas pra chegar o fim de semana. Mas quando ele chega, é preciso fazer uma promessa pra que o ponteiro fique mais pesado e se arraste devagar. Quando me descuido, ele já virou uma tarde vã de domingo… e uma noite desesperada de domingo, na busca louca pelo que não vai dar pra adiar mais, seja um sonho de vida ou um restinho de louça pra lavar.

Não cabe. O que eu quero ser não cabe no espaço ínfimo entre a sexta à noite e a segunda de manhã. Um final de semana na (estrada engarrafada que leva até a) praia. Se juntar uma graninha, viajar pra longe – só pra não fugir do roteiro #classemédiapaulistanasofre. Então viver é isso?

Não pode ser. O que eu quero ser não pode.

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