Arquivo da categoria ‘mercantilização’

“NESTE ANO FAÇA ALGO POR VOCÊ
APRENDA A DANÇAR
FORRÓ
ZUMBA”

Foto: Bruna Provazi.

Foto: Bruna Provazi.

Assim diz o letreiro neon no coração de Higienópolis, como uma promessa de ano novo sussurrada no ouvido da amiga indecisa às cinco pra meia-noite na Riviera à beira-mar. O que ele não diz é que está cobrando pelo nosso ócio criativo, que trabalhamos tanto que o dinheiro ganho vai direto pagar nossa desopilação. Se estressar custa caro these days. Mas o suficiente pra ser parcelado em três vezes sem juros no cartão.

Conto as horas pra chegar o fim de semana. Mas quando ele chega, é preciso fazer uma promessa pra que o ponteiro fique mais pesado e se arraste devagar. Quando me descuido, ele já virou uma tarde vã de domingo… e uma noite desesperada de domingo, na busca louca pelo que não vai dar pra adiar mais, seja um sonho de vida ou um restinho de louça pra lavar. (mais…)

Marcha Mundial das Mulheres

Por: Bruna Provazi *

As bolhas da internet às vezes causam essa sensação de que estamos avançando no combate ao machismo, ao patriarcado e coisa e tal… Uma breve olhada pro horizonte à frente, pra história atrás e pra vida de todas as mulheres à nossa volta, entretanto, mostram um cenário um pouquinho diferente…

camisetabuceta2 A camiseta em questão…

Nas últimas semanas, gerou polêmica na rede uma foto da top model Izabel Goulart publicada em seu Instagram e reproduzida pela Marie Claire com o seguinte título: “Izabel Goulart se despede do Rio de Janeiro e exibe corpo perfeito”. Eu só tomei conhecimento de tal foto depois que começaram a pipocar na minha timeline do Facebook diversas críticas à abordagem da revista. Mesmíssima coisa aconteceu com a polêmica em torno da camiseta da American Apparel cuja estampa traz uma vagina peluda e menstruada sendo masturbada, e a qual Julia Petit tratou…

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A chata do Carnaval

Publicado: fevereiro 13, 2013 em mercantilização
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#eu #carnaval #chateada

Desde que o carnaval deixou de ser, pra mim, sinônimo de catar confete no chão e correr pela praça de Rio Novo, cidadezinha do interior de Minas Gerais na qual passei praticamente todos os carnavais da minha infância, tenho aguardado a chegada dessa data com um misto de tensão e pavor. A verdade mesmo é que, desde pequena, sentia certa estranheza e mal-estar ao ver aqueles machões fantasiados como (a imagem estereotipada do que é ser) “mulher”. Também nunca gostei da música, mesmo quando não entendia muito bem as letras e não fazia ideia do que será que era ou não era o tal do Zezé. Mas deprimente mesmo era a Quarta-feira de Cinzas ao som dos gritos do meu vizinho-oráculo tentando adivinhar as notas das escolas de samba, segundos antes do próprio locutor. Definitivamente, ainda não sei o que era pior: quando a Beija-Flor ganhava ou perdia.  (mais…)

Sexta-feira passada, tivemos o prazer de conversar com Wilhelmina Trout, militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) da África do Sul, último país sediar a Copa do Mundo e primeiro país da África a receber um evento desse porte. A conversa, que deveria ser sobre prostituição durante a Copa, acabou extrapolando os limites da atividade – limites esses que, a bem da verdade, precisam ser ultrapassados por qualquer debate que se proponha a ser sério sobre a prostituição atualmente…

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A Marcha Mundial das Mulheres repudia o anúncio da empresa Preservativos Prudence, pertencente à campanha “Dieta do Sexo”, por apologia ao estupro.

A publicidade foi colocada na página da Prudence no Facebook no dia 16 de julho, e só hoje (30/07/12) retirada de circulação. Tal anúncio refere-se a uma “Dieta do Sexo”, mostrando quantas calorias é possível perder praticando diferentes atos sexuais. Entre os atos citados, há dois polêmicos: “Tirando a roupa dela sem o consentimento dela: 190 cal” e “Abrindo o sutiã com uma mão, apanhando dela: 208 cal”.

Apesar da alegação de ambiguidade, o primeiro item não deixa dúvidas, pois menciona explicitamente se tratar de uma relação sexual não-consentida: sexo sem consentimento é estupro. Pior que isso: a empresa sugere que sexo forçado (estupro) vale mais, pois gastam-se 190 calorias, do que sexo com consentimento (10 calorias).

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[Texto publicado originalmente no site Blogueiras Feministas, em 26/06/2012]

Em 2011, com data marcada no Facebook para acontecer, a questão era ir ou não à Marcha das Vadias de São Paulo, manifestação sobre a qual as poucas informações que tínhamos vinham da mídia gringa ou das redes sociais.

Concentração para Marcha das Vadias em São Paulo/SP 2012. Foto de Cecília Santos.

A gente, da Fuzarca Feminista, núcleo jovem da Marcha Mundial das Mulheres em São Paulo, achou que tinha que ir. Outras pessoas também acharam. Conversamos alguns minutos sobre nossa participação como coletivo. Afinal, atuar de forma coletiva implica em refletir sobre as posições que tomamos em conjunto e conseguir minimamente defendê-las de dentro (de um movimento que é amplo em toda a sua diversidade de classe, raça/cor, idade, orientação sexual…) pra fora.

Fizemos uma oficina de cartazes, levamos nossos batuques, pensamos em um provável trajeto — que ia depender da vontade das outras pessoas envolvidas —, divulgamos na internet e fomos lá nos somar. A primeira Marcha das Vadias realizada no Brasil foi feita assim, com a cara de quem apareceu na Avenida Paulista no dia 3 de junho de 2011, (ul)trajada com seus cartazes, ideias e gritos feministas. (mais…)

O trinco

Publicado: março 25, 2012 em mercantilização

“Seu corpo é um campo de batalha”, Barbara Kruger (1989).

Então calhou de ser sexta-feira e a Sarinha resolver dar uma micro-festa na sua casa nova. Naquelas de “saber mais ou menos onde é”, descemos do táxi na rua (que ainda dava mão) mais próxima e seguimos a pé. Por entre altos muros, vigias noturnos e ruas um tanto quanto arborizadas pra São Paulo, repousavam ali, tranquilamente, algumas dezenas de casarões, cercados por uma singela praça quase particular. Longe de todo o caos do trânsito, das filas, e mesmo dos bares cheios de almas tão vazias, e confortavelmente perto da resolução de todas as necessidades da vida de quem dispõe de um veículo próprio (e individual) para tal, estava desenhado ali um pequeno pedaço do paraíso paulistano. Obviamente, reservado. Reservado a pouc@s. (mais…)

Gisele anda fazendo muito xixi no banho.

É tão lindo fazer parte de um movimento social que consegue expressar exatamente o que você está pensando… 🙂 

 
Carta de apoio à SPM 
Nós, da Marcha Mundial das Mulheres, expressamos nosso apoio à Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres (SPM), especialmente à Ministra Iriny Lopes, pela posição firme, destemida e comprometida com a construção da igualdade entre homens e mulheres.
 
A contestação e pedido de suspensão junto ao CONAR da propaganda da Hope foi uma medida assertiva por parte desta Secretaria. A construção da SPM e SEPPIR, ainda no governo Lula, afirmou o avanço na compreensão de que o combate às desigualdades de gênero e raça é obrigação do Estado.

Marcha das Vadias tomando as ruas de Campinas. #mexeucomumamexeucomtodas

Saímos de São Paulo na madrugada manhã de ontem, rumo a Campinas, com a tarefa de nos somarmos a mais uma edição da Marcha das Vadias, movimento que, desde maio deste ano, vem ganhando versões regionais por todo o mundo. A internet e as redes sociais têm contribuído para facilitar a comunicação e a dar visibilidade a ações de movimentos sociais que sempre estiveram organizados sob a forma de rede, ao mesmo tempo em que impulsiona o surgimento de novas formas de articulação. (mais…)

Casa noturna dos CQCistas é repudiada na #marchadasvadias

Já havia falado aqui sobre a incitação do estupro feita pelo CQCista Rafael Bastos, inclusive sugerindo que as pessoas manifestassem sua indignação enviando e-mails para o Ministério Público de São Paulo e se expressando na rede e nas ruas – como fizemos na Marcha das Vadias de São Paulo. A resposta do MP representa uma vitória para nós, feministas, que fizemos barulho sobre o caUso. Mas, certamente, a vitória maior é de todas as mulheres brasileiras, pois representa o reconhecimento de que a violência sexista existe e seu enfrentamento é uma questão que deve ser tratada de forma pública, pois a “livre expressão” do machismo é uma das formas de sua reprodução. (mais…)