Arquivo da categoria ‘política’

Fonte: G1.

Fonte: G1.

Escrevo este texto ao som do zunido de helicópteros e de disparos de bombas de gás lacrimogêneo aqui e acolá. Não muito longe, a Polícia Militar do Estado de São Paulo executa a operação de guerra montada para remover, criminosamente, as famílias que ocupam um prédio no centro de São Paulo. É ano de eleição, e Geraldo Alckmin batalha insidiosamente pelo voto do “cidadão de bem” paulistano.

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Marcha Mundial das Mulheres

Por: Bruna Provazi*

Há pouco tempo atrás, um amigo me perguntou se era eu quem fazia a página “Feminista Cansada”, que é pra mim uma das páginas mais legais do Facebook e do Twitter. Expliquei a ele que, infelizmente, não havia pensado nesse ótimo título antes, mas que era exatamente assim que eu me sentia. Hoje, devo dizer que me sinto uma feminista exausta mesmo. Faz sete anos que comecei a militar no feminismo de forma organizada (em um coletivo de mulheres), e seis anos que milito na Marcha Mundial das Mulheres, e é triste pensar que às vezes parece que nada mudou, nesse brevíssimo espaço de tempo. Ou talvez pouca coisa tenha mudado, pra ser mais justa com a gente que tá na batalha diária contra o machismo.

 Semana passada, passei pela infeliz experiência de ir até a rua Santa Ifigênia, no centrão de São Paulo. Bem… eu…

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Sexta-feira passada, tivemos o prazer de conversar com Wilhelmina Trout, militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) da África do Sul, último país sediar a Copa do Mundo e primeiro país da África a receber um evento desse porte. A conversa, que deveria ser sobre prostituição durante a Copa, acabou extrapolando os limites da atividade – limites esses que, a bem da verdade, precisam ser ultrapassados por qualquer debate que se proponha a ser sério sobre a prostituição atualmente…

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[Texto publicado originalmente no site Blogueiras Feministas, em 26/06/2012]

Em 2011, com data marcada no Facebook para acontecer, a questão era ir ou não à Marcha das Vadias de São Paulo, manifestação sobre a qual as poucas informações que tínhamos vinham da mídia gringa ou das redes sociais.

Concentração para Marcha das Vadias em São Paulo/SP 2012. Foto de Cecília Santos.

A gente, da Fuzarca Feminista, núcleo jovem da Marcha Mundial das Mulheres em São Paulo, achou que tinha que ir. Outras pessoas também acharam. Conversamos alguns minutos sobre nossa participação como coletivo. Afinal, atuar de forma coletiva implica em refletir sobre as posições que tomamos em conjunto e conseguir minimamente defendê-las de dentro (de um movimento que é amplo em toda a sua diversidade de classe, raça/cor, idade, orientação sexual…) pra fora.

Fizemos uma oficina de cartazes, levamos nossos batuques, pensamos em um provável trajeto — que ia depender da vontade das outras pessoas envolvidas —, divulgamos na internet e fomos lá nos somar. A primeira Marcha das Vadias realizada no Brasil foi feita assim, com a cara de quem apareceu na Avenida Paulista no dia 3 de junho de 2011, (ul)trajada com seus cartazes, ideias e gritos feministas. (mais…)

Dia Internacional de Luta das Mulheres, São Paulo/SP (2011). Foto: Elaine Campos.

 Pode começar com uma mensagem no gtalk, um comentário no Facebook ou um tuíte – pra quem trabalha no computador ou passa horas nele por conta de estudo/hobbie. Pode começar depois de uma fala machista de um policial, no meio de uma palestra em uma faculdade de Direito – como no caso da Marcha das Vadias (Slutwalk), que só foi ganhar a internet depois. As nossas ideias criativas de como mudar a vida das mulheres pra mudar o mundo/mudar o mundo pra mudar a vida das mulheres não escolhem ocasião, surgem como contra-ofensiva (alternativa) à ofensiva sexista cotidiana.

Então, de repente, você encontra parceiras pra fazer as mais variadas coisas, de panfletagens e ações diretas nas ruas a tuitaços e blogagens coletivas. Parceiras que compartilham das mesmas visões de mundo, ainda que com uma ou outra divergência saudável, e, principalmente, que compartilham das mesmas motivações pra querer tornar a vida mais justa e solidária entre mulheres e homens. E daí que basta pensar alto pra que essas pessoas se somem a você, com o mesmo gás pra fazer acontecer #tudoaomesmotempoagora: o feminismo é urgente e não pode esperar. (mais…)

O candidato à presidência José Serra, do PSDB, expressou em sua declaração, nesta quinta-feira, o machismo que orienta não apenas sua campanha, mas sua atuação política no último período: “Se você é uma menina bonita, tem que conseguir 15 votos. Pegue a lista de pretendentes e mande um e-mail. Fale que quem votar em mim tem mais chance com você”.

Repudiamos todas as práticas que pretendem obter qualquer tipo de lucro a partir do uso do corpo das mulheres, seja no turismo sexual, na indústria do entretenimento ou no tráfico de mulheres para a exploração sexual que movimenta pelo menos 58 bilhões de dólares anuais. O conteúdo explícito da declaração de Serra, ao incentivar que as meninas se ofereçam em troca de votos para este candidato misógino, incentiva estas práticas.

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No primeiro debate do segundo tempo turno das eleições 2010, Dilma, finalmente, foi pra cima deles. Finalmente, deixou o script (um pouco) de lado e mostrou (um pouco) dela mesma, daquela Dilma incisiva que o caro Agripino, a cara Folha de São Paulo e os/as caríssimos/as militantes conhecem bem.

Depois de ser chamada de poste, terrorista, sapatão e “matadora de criancinhas”, Dilma finalmente acordou, no meio do segundo tempo, e reagiu, com toda a raiva de quem foi difamada e caluniada, e com todos os argumentos de quem já deixa pra trás a sombra do ex-metalúrgico e quase-ex-presidente-da-república.

#serramilcaras

$erra, desnorteado, se apegou à tática usada por dez entre dez machistas: a desqualificação. Tratou logo de chamá-la de “agressiva”. Danilo Nojentilli repetiria sua poesia CQCista em 140 caracteres: “só assim pra ela abrir as pernas em cima de um homem”. Claro, quando uma mulher ousa ultrapassar aquela fronteira bem demarcada entre o espaço público e o privado, entre o masculino e o feminino, a reação uníssona da aliança machista é imediata.

Charge machista de Nani, reproduzida por blog da Folha.

 

Mulher na rua à noite? Puta. Engravidou solteira? Puta. Minissaia na faculdade? Puta. Forte? Sapatão. Tá nervosa? TPM. Incisiva? Histérica. Feminista? Sapatão. Feminista? Mal comida. Feminista? Pró-morte/assassina.  Política?? Poste, terrorista, sapatão e “matadora de criancinhas”. Bem tentaram rotular de puta também, mas agora se contentam com histérica mesmo…

 

“Dilma = aborto, maconha, prostituição, casamento gay”. Cartaz pregado em igrejas e lugares públicos.

Primeiro, veio a questão do aborto, para nos mostrar o quanto a sociedade brasileira ainda está tão distante da cidadania quanto do estado laico. Enquanto, em diversos países, sua legalização, através de imensa pressão popular e um tanto de boa vontade política, diminuiu o número de abortamentos e de mortes maternas, no Brasil, a criminalização do aborto, além de ser responsável pela terceira causa de morte materna no país, ainda é usada para manipulação eleitoreira de boa parte da população.

Como o número de mulheres na política ainda é extremamente reduzido, e como os líderes religiosos são os principais defensores dos direitos do conjunto-de-células-entitulados-por-eles-de-vida, temos que a decisão sobre a criminalização do aborto é tomada por homens que, paradoxalmente, não engravidam(!), portanto, nunca lhes passou pela cabeça a necessidade de abortar.

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