Marcha Mundial das Mulheres

O que esperamos de um governo que elegemos por ser parte de um projeto comprometido com a mudança, com outro olhar para as demandas sociais, com outro jeito de (re)conhecer a população? O que esperamos de um governo que acredita na cidade, nas pessoas, e que, ao contrário do velho, acredita que de fato existe amor na cidade de São Paulo? Esperamos que este seja realmente uma outra coisa que não aquela que estávamos cansadas de saber, de questionar e de resistir. Por que dizer isso agora? Porque acreditamos realmente que as coisas, que por sinal já estão mudando, possam mudar em todos os âmbitos e lugares, pois para a construção de uma nova política pública requer diálogo, escuta, e, mais do que tudo, requer a troca e a incorporação das propostas dos movimentos sociais. Esse texto parte de um descontentamento, já antigo das mulheres, sobre uma das principais ações…

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Marcha Mundial das Mulheres

Por: Bruna Provazi*

Há pouco tempo atrás, um amigo me perguntou se era eu quem fazia a página “Feminista Cansada”, que é pra mim uma das páginas mais legais do Facebook e do Twitter. Expliquei a ele que, infelizmente, não havia pensado nesse ótimo título antes, mas que era exatamente assim que eu me sentia. Hoje, devo dizer que me sinto uma feminista exausta mesmo. Faz sete anos que comecei a militar no feminismo de forma organizada (em um coletivo de mulheres), e seis anos que milito na Marcha Mundial das Mulheres, e é triste pensar que às vezes parece que nada mudou, nesse brevíssimo espaço de tempo. Ou talvez pouca coisa tenha mudado, pra ser mais justa com a gente que tá na batalha diária contra o machismo.

 Semana passada, passei pela infeliz experiência de ir até a rua Santa Ifigênia, no centrão de São Paulo. Bem… eu…

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A chata do Carnaval

Publicado: fevereiro 13, 2013 em mercantilização
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#eu #carnaval #chateada

Desde que o carnaval deixou de ser, pra mim, sinônimo de catar confete no chão e correr pela praça de Rio Novo, cidadezinha do interior de Minas Gerais na qual passei praticamente todos os carnavais da minha infância, tenho aguardado a chegada dessa data com um misto de tensão e pavor. A verdade mesmo é que, desde pequena, sentia certa estranheza e mal-estar ao ver aqueles machões fantasiados como (a imagem estereotipada do que é ser) “mulher”. Também nunca gostei da música, mesmo quando não entendia muito bem as letras e não fazia ideia do que será que era ou não era o tal do Zezé. Mas deprimente mesmo era a Quarta-feira de Cinzas ao som dos gritos do meu vizinho-oráculo tentando adivinhar as notas das escolas de samba, segundos antes do próprio locutor. Definitivamente, ainda não sei o que era pior: quando a Beija-Flor ganhava ou perdia.  Leia o resto deste post »

Marcha Mundial das Mulheres

Por: Bruna Provazi*

Neste final de semana (8 e 9 de dezembro), vai rolar a segunda edição do Festival Mulheres no Volante em Brasília (DF), reunindo múltiplas linguagens e expressões artísticas protagonizadas por mulheres. O festival surgiu em 2007, na cidade mineira de Juiz de Fora, diante da sensação incômoda de ir a eventos e só ver homens no palco e na produção, e da grande vontade de fazer alguma coisa pra mudar isso.

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Na primeira edição do evento, rolaram um debate sobre a mulher na arte, uma oficina de skate para meninas e shows com bandas femininas (com pelo menos uma mulher instrumentista). Já na segunda edição, em 2008, passamos a agregar também diversas outras manifestações artísticas, tais como fotografia, artes plásticas, videoarte, dança e literatura. Além de mais um debate, tivemos ainda cerca de dez oficinas diferentes, sempre com os objetivos de dar visibilidade às mulheres que produzem…

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Post publicado originalmente no blog da Marcha Mundial das Mulheres, em 26/10/2012.

Pense num sonho. Pense num acampamento de férias em que você possa aprender a tocar bateria, baixo e guitarra, conviver com musicistas inspiradoras e assistir a vários shows, tudo isso na companhia de outras minas com as quais você se sinta confortável e livre: pra errar, pra acertar e pra se divertir. Em janeiro de 2013, vai rolar a primeira edição de um projeto inédito na América do Sul: o Girls Rock Camp, acampamento de vivências musicais para meninas. As inscrições pra voluntárias se encerraram nessa semana, somando mais de 80 inscritas. Agora, estão abertas inscrições pra campistas, meninas de 7 a 17 anos que queiram viver essa experiência que é pra toda a vida.

Girls Rock Camp nos Estados Unidos.

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Texto postado originalmente no blog da Marcha Mundial das Mulheres, em 17 de Setembro de 2012.

Nadezhda Tolokonnikova, membra da Pussy Riot.

Na última quarta-feira (12/09), o primeiro-ministro da Rússia finalmente se pronunciou a favor da libertação das três integrantes da banda Pussy Riot, presas desde março e condenadas a três anos detrás das grades por “vandalismo motivado por ódio religioso”, ao cantar uma oração punk (de 40 segundos) na Catedral de Cristo o Salvador de Moscou, na qual pediam à Virgem Maria para livrar a Rússia do presidente Vladmir Putin. Tal pronunciamento, por si só, não significa a soltura imediata das moças, mas sinaliza que, ao que tudo indica, um desfecho feliz para essa trama pode se desenrolar em breve: não devido a um delírio de bom senso por parte das autoridades russas, mas sim pela intensa pressão popular e midiática que se espalhou internacionalmente sobre o caso. Leia o resto deste post »

Sexta-feira passada, tivemos o prazer de conversar com Wilhelmina Trout, militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) da África do Sul, último país sediar a Copa do Mundo e primeiro país da África a receber um evento desse porte. A conversa, que deveria ser sobre prostituição durante a Copa, acabou extrapolando os limites da atividade – limites esses que, a bem da verdade, precisam ser ultrapassados por qualquer debate que se proponha a ser sério sobre a prostituição atualmente…

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A Marcha Mundial das Mulheres repudia o anúncio da empresa Preservativos Prudence, pertencente à campanha “Dieta do Sexo”, por apologia ao estupro.

A publicidade foi colocada na página da Prudence no Facebook no dia 16 de julho, e só hoje (30/07/12) retirada de circulação. Tal anúncio refere-se a uma “Dieta do Sexo”, mostrando quantas calorias é possível perder praticando diferentes atos sexuais. Entre os atos citados, há dois polêmicos: “Tirando a roupa dela sem o consentimento dela: 190 cal” e “Abrindo o sutiã com uma mão, apanhando dela: 208 cal”.

Apesar da alegação de ambiguidade, o primeiro item não deixa dúvidas, pois menciona explicitamente se tratar de uma relação sexual não-consentida: sexo sem consentimento é estupro. Pior que isso: a empresa sugere que sexo forçado (estupro) vale mais, pois gastam-se 190 calorias, do que sexo com consentimento (10 calorias).

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A empolgação de meus amigos com a obra-prima de Jack Kerouac sempre foi diretamente proporcional à minha preguiça para com ele. Certa vez, há alguns anos, lá pelas tantas em uma mesa de bar, um deles chegou a propor que pulássemos dentro de um vagão de trem que cortava nossa cidade, rumo ao desconhecido. A aventura seria toda registrada em sua mini-dv recém-comprada, e daria origem a um curta-metragem meio “beat nik pós-moderno mineiro”. Respondi com mais um gole de cerveja à proposta inusitada, enquanto imaginava o quão fácil seria descobrirmos o destino daquele vagão, e o quão difícil seria explicar para meus pais que iria me ausentar por alguns dias(?) pra dar um rolê num trem sabe-se lá pra onde com uns amigos que nunca lhes apresentara. É claro que a viagem jamais aconteceu. Leia o resto deste post »

[Texto publicado originalmente no site Blogueiras Feministas, em 26/06/2012]

Em 2011, com data marcada no Facebook para acontecer, a questão era ir ou não à Marcha das Vadias de São Paulo, manifestação sobre a qual as poucas informações que tínhamos vinham da mídia gringa ou das redes sociais.

Concentração para Marcha das Vadias em São Paulo/SP 2012. Foto de Cecília Santos.

A gente, da Fuzarca Feminista, núcleo jovem da Marcha Mundial das Mulheres em São Paulo, achou que tinha que ir. Outras pessoas também acharam. Conversamos alguns minutos sobre nossa participação como coletivo. Afinal, atuar de forma coletiva implica em refletir sobre as posições que tomamos em conjunto e conseguir minimamente defendê-las de dentro (de um movimento que é amplo em toda a sua diversidade de classe, raça/cor, idade, orientação sexual…) pra fora.

Fizemos uma oficina de cartazes, levamos nossos batuques, pensamos em um provável trajeto — que ia depender da vontade das outras pessoas envolvidas —, divulgamos na internet e fomos lá nos somar. A primeira Marcha das Vadias realizada no Brasil foi feita assim, com a cara de quem apareceu na Avenida Paulista no dia 3 de junho de 2011, (ul)trajada com seus cartazes, ideias e gritos feministas. Leia o resto deste post »